segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Dear B.,
hoje você levou pra mim aquele sorriso que tanto gosto. Permaneceu por uns poucos minutos dizendo casualidades, enquanto eu me concentrava em não olhar tanto pra você. Estava especialmente bonita. Você fica bem assim quando ela aparece não é? Não pude evitar o pensamento.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
B,
É quando decido assumir indecentemente que anseio por você, e que você me tira o ar. Que ligo pra sua casa, à meia noite de uma quinta-feira, e você me atende seca, pede que outro alguém me dê alguma conversa interessante, e eu penso seriamente em gritar que devolvam o celular pra ela agora, eu quero ouvir aquela voz! Mas já vou pedindo e sabendo que há algo errado, que está nas entrelinhas, nos vazios entre conversas, as pessoas vão gaguejando comigo, uma por vez. É como se elas soubessem que iria me magoar, é como se elas soubessem que a minha manhã voltaria a ser cinza, a minha cama tão agradável, meu dia tão imundo. Ninguém precisou me dizer que ela estava lá, a garota das seus olhos, a tão falada, tão cretina, e lá está você denovo naqueles braços. Não que eu não soubesse que corria riscos ao tentar ter um pouco de você. Não que eu ignorasse o brilho dos seus olhos, talvez tristes, mas ainda brilhantes, quando falava o nome dela. Aliás, você nunca disse o nome dela. Só tentava se referir ao que viveu de forma desentendida. Mas era como se houvesse um fantasma, quando você desviava o olhar, eu sabia que não era tanto por timidez, medo, ou insegurança. Não que eu não soubesse que uma hora ou outra, ia acontecer. Eu estaria denovo, lutando contra o telefone, tentando esquecer os seus números, pra não poder te ligar, nem nos momentos de delicado desespero. Era eu mesma me avisando que eu não devia ligar chorando, dizendo o quanto era difícil pra mim aceitar que você não precisasse de mim para decididamente nada na sua rotina. Nem que fosse pensar o quão tedioso era a sombra do meu corpo deitada na sua cama, pedindo um pouco de atenção, tentando retirar uns bocados de sorriso e guardar. Só pra mim.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Dear B.,
Hoje foi o primeiro dia e que senti tão próxima de você. Tão inofensiva perto de você. Tão confusa, e tão tão perdida. É como se todo o meu dia especialmente dedicado à minha garota, estivesse se despedaçando quando eu ouvi, é claro, que você nem ao menos dormira em casa. Era só um almoço, e isso ecoava em minha cabeça, você deve ter pensado e dado tão pouca importância ao que isso significaria pra mim. Eu havia sonhado com isso. Com seu corpo me apertando, como fiz no primeiro dia que nos encontramos sozinhas, eram os meus olhares e os seus. E o medo. Eu não queria me deixar tão ao seu toque, mas eu queria abraçá-la, envolvê-la em cada parte quente do meu corpo, não queria ver você tão pequena, tão falando bobagens e sorrindo pra mim. Eu te queria minha. E então, quando ele disse 'ela não esteve aqui durante a noite, nem ao menos dormiu na minha cama', eu sentei com aquele meu alimento, frio. Frio meu peito, em chamas, não sei. Sentia algumas pontadas, algum tipo de pavor por perceber o quanto isso me afetava agora. O quanto eu me envolvera em você e na sua vida. O quanto eu deixei alguns toques dos seus lábios esbarrarem em sentimentos que não queriam se mostrar. O quanto eu fui inocente, pensando que por ser tão pequena, displicente, encantadora e distraída, não faria de fato diferença. Pois foi justamente o seu sorriso desamparado e tão insistentemente forte, que me fez rolar na cama antes de adormecer. Colocando tudo que tenho em jogo. Você sabe, ou não, sim, ele é tudo que eu tenho agora. Eu queria que soubesse tanto mais sobre mim, B. Que você estivesse em minha pele, quando eu ouvi sua voz, e já sabendo que era você, abaixei a cabeça. Quis tanto te mostrar que isso me afetava. Você me afetava. E você é só uma garota. Somos algumas migalhas de garotas.
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