sexta-feira, 20 de agosto de 2010
B,
É quando decido assumir indecentemente que anseio por você, e que você me tira o ar. Que ligo pra sua casa, à meia noite de uma quinta-feira, e você me atende seca, pede que outro alguém me dê alguma conversa interessante, e eu penso seriamente em gritar que devolvam o celular pra ela agora, eu quero ouvir aquela voz! Mas já vou pedindo e sabendo que há algo errado, que está nas entrelinhas, nos vazios entre conversas, as pessoas vão gaguejando comigo, uma por vez. É como se elas soubessem que iria me magoar, é como se elas soubessem que a minha manhã voltaria a ser cinza, a minha cama tão agradável, meu dia tão imundo. Ninguém precisou me dizer que ela estava lá, a garota das seus olhos, a tão falada, tão cretina, e lá está você denovo naqueles braços. Não que eu não soubesse que corria riscos ao tentar ter um pouco de você. Não que eu ignorasse o brilho dos seus olhos, talvez tristes, mas ainda brilhantes, quando falava o nome dela. Aliás, você nunca disse o nome dela. Só tentava se referir ao que viveu de forma desentendida. Mas era como se houvesse um fantasma, quando você desviava o olhar, eu sabia que não era tanto por timidez, medo, ou insegurança. Não que eu não soubesse que uma hora ou outra, ia acontecer. Eu estaria denovo, lutando contra o telefone, tentando esquecer os seus números, pra não poder te ligar, nem nos momentos de delicado desespero. Era eu mesma me avisando que eu não devia ligar chorando, dizendo o quanto era difícil pra mim aceitar que você não precisasse de mim para decididamente nada na sua rotina. Nem que fosse pensar o quão tedioso era a sombra do meu corpo deitada na sua cama, pedindo um pouco de atenção, tentando retirar uns bocados de sorriso e guardar. Só pra mim.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário