quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Dear B.,
Hoje foi o primeiro dia e que senti tão próxima de você. Tão inofensiva perto de você. Tão confusa, e tão tão perdida. É como se todo o meu dia especialmente dedicado à minha garota, estivesse se despedaçando quando eu ouvi, é claro, que você nem ao menos dormira em casa. Era só um almoço, e isso ecoava em minha cabeça, você deve ter pensado e dado tão pouca importância ao que isso significaria pra mim. Eu havia sonhado com isso. Com seu corpo me apertando, como fiz no primeiro dia que nos encontramos sozinhas, eram os meus olhares e os seus. E o medo. Eu não queria me deixar tão ao seu toque, mas eu queria abraçá-la, envolvê-la em cada parte quente do meu corpo, não queria ver você tão pequena, tão falando bobagens e sorrindo pra mim. Eu te queria minha. E então, quando ele disse 'ela não esteve aqui durante a noite, nem ao menos dormiu na minha cama', eu sentei com aquele meu alimento, frio. Frio meu peito, em chamas, não sei. Sentia algumas pontadas, algum tipo de pavor por perceber o quanto isso me afetava agora. O quanto eu me envolvera em você e na sua vida. O quanto eu deixei alguns toques dos seus lábios esbarrarem em sentimentos que não queriam se mostrar. O quanto eu fui inocente, pensando que por ser tão pequena, displicente, encantadora e distraída, não faria de fato diferença. Pois foi justamente o seu sorriso desamparado e tão insistentemente forte, que me fez rolar na cama antes de adormecer. Colocando tudo que tenho em jogo. Você sabe, ou não, sim, ele é tudo que eu tenho agora. Eu queria que soubesse tanto mais sobre mim, B. Que você estivesse em minha pele, quando eu ouvi sua voz, e já sabendo que era você, abaixei a cabeça. Quis tanto te mostrar que isso me afetava. Você me afetava. E você é só uma garota. Somos algumas migalhas de garotas.
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